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Abrace lamenta adiamento do PLD horário

Data: 2/8/2019

Para associação, modelo atual causa distorção na operação e na comercialização. Comerc também queria preço horário logo, mas prega a adoção só quando agentes estiverem confortáveis

A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais e Energia e de Consumidores Livres não recebeu bem o novo adiamento do preço  horário para 2021. “A gente defendeu muito que tivesse entrado em janeiro de 2019, que era nossa primeira expectativa, mas diante das preocupações do ONS e da CCEE, principalmente com o modelo que estava rodando, a gente entendeu [o primeiro adiamento para 2020]”, disse o coordenador de Energia Elétrica da Abrace, Victor Hugo Iocca.

O técnico destaca, porém, que adiar para por mais um ano é um problema, já que o preço horário deveria estar funcionando há 20 anos. Iocca explica que o modelo que se tem hoje acaba criando uma distorção muito grande, tanto do ponto de vista da operação quanto da comercialização. “Essa distorção vira um custo que é pago pelo consumidor por meios dos encargos setoriais”, explica. Do ponto de vista dos grandes consumidores, como o PLD horário dá uma sinalização do que está acontecendo naquele momento no sistema, ele possibilita que haja uma reação à demanda. “Ele pode reduzir seu consumo temporariamente se o preço fica elevado”, diz Iocca, Essa resposta, afirma, seria automática.

Nas comercializadoras, a alteração foi melhor digerida. Na Comerc, a vontade do vice-presidente, Marcelo Ávila, era que o preço horário entrasse em vigor o mais rápido possível, para que todas suas potencialidades sejam aproveitadas. Porém, ele entende que a entrada do PLD horário deva acontecer da maneira menos ruidosa possível. “Que venha com os agentes confortáveis, seguros que o preço que vai ser apresentado está dentro de um despacho realista de operador para atender o consumo do nosso país”, afirma.

Ávila frisa que o PLD Horário vai ser um símbolo importante para os participantes do mercado, já que muitas negociações são fechadas em função do retorno que proporcionam. Ele lembra que o consumo não deve se adequar à geração e sim o contrário. “O quanto antes você conseguir adequar o modelo de formação de preço para a realidade do consumo brasileiro, melhor para a economia como um todo e para quem está operando dentro desse setor”, avisa. Ele também elogiou os aprimoramentos feitos no modelo de operação, que segundo ele, vão deixar o mercado melhor e com mais assertividade.

Fonte: CanalEnergia - Sueli Montenegro