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Aderir à tarifa branca exige controle e gerenciamento por parte do cliente; veja dicas

Data: 20/01/2020

Modelo é vantajoso para quem consegue administrar o uso de eletrodomésticos e chuveiro elétrico no chamado horário fora de ponta

Desde 1º de janeiro todas as unidades consumidoras de energia conectadas em baixa tensão, como residências e pequenos comércios, passaram a ter a possibilidade de aderir à tarifa branca. Esta é uma nova opção tarifária ante ao modelo convencional. Enquanto o último traz um preço único por quilowatt-hora (kWh), a branca prevê para os dias úteis três valores de tarifas, que se aplicam, de forma alternada, conforme o horário de consumo.

Em Goiás, desde o início do ano até o dia 14, a distribuidora Enel recebeu 125 pedidos de migração, montante ainda bem distante do universo de cerca de 2,9 milhões de consumidores aptos a solicitar a mudança. “Essa é mais uma oportunidade ao consumidor para ele escolher quanto quer pagar pela conta de luz”, informa o diretor presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), o engenheiro eletricista, Carlos Faria. Ele alerta, porém, que antes de tomar decisão o interessado precisa entender qual é seu perfil de consumo.

Isso porque, pela tarifa branca serão aplicados um preço apontando como de ponta, que seria tarifa mais elevada; outra intermediária; e outra descrita como fora de ponta, de menor valor, mais baixo que a da convencional (veja quadro). É esta fora de ponta que incidirá no cálculo do consumo aos finais de semana e feriados. Para os dias úteis, os horários que cada uma vai vigorar são definidos pelas distribuidoras de energia.

Em Goiás, a Enel Distribuição estipula o valor de R$ 0,443 por kWh para o horário fora de ponta, cerca de 17% abaixo do que é cobrado pela tarifa convencional, que custa R$ 0,534, independentemente do horário. Porém, no período de ponta, que é entre 18 horas e 20h59, a tarifa chega a R$ 0,972 (veja quadro). “Então ele precisa fazer análise do consumo. Se o consumo ocorre exatamente nesse horário, a tarifa branca pode não ser a melhor opção.”

Ele explica que, para poder valer a pena a adesão, aparelhos que consomem mais energia, como equipamentos de condicionamento, a exemplo de ar condicionado ou aquecedor, e chuveiro elétrico, não podem ser utilizados messe período. “Se toma banho de 20 minutos, principalmente nesse horário de ponta, não vai valer mudar para a tarifa branca. Ele também orienta que os consumidores que fizerem essa migração devem evitar o uso de ferro elétrico e máquina de lavar nesses horários. “Agora, se ele conseguir tomar banho fora desse horário, pode valer a pena”, exemplifica. Faria informa que equipamentos que ficam ligados constantemente, como geladeira, não interferem nesse resultado.

O presidente da Anace pontua que entre os perfis de consumidor que podem se beneficiar da tarifa branca, “certamente”, um é aquele que trabalha à noite. “Sai de casa às 18 horas e volta no outro dia de manhã, esse é forte candidato.” Outro exemplo, cita, é aquele que sai à noite para ir estudar.

A Enel Distribuição Goiás também orienta que os clientes interessados a aderir à tarifa branca entendam primeiro o seu perfil de consumo. “Uma vez que a nova modalidade de faturamento é vantajosa apenas para clientes que consomem pouca energia nos horários de pico de consumo (entre 16h e 21h59 nos dias úteis), quando a tarifa branca é maior que a tarifa convencional”. A distribuidora informa que, para clientes que consomem grandes volumes de energia neste intervalo de horário, “optar pela tarifa branca pode acabar aumentando o valor das faturas de energia”.

De acordo com a Enel, ao fazer a solicitação para aderir à tarifa branca, o cliente recebe a confirmação no momento do atendimento. A partir da confirmação, a companhia tem 30 dias para realizar a alteração do medidor de energia para o equipamento específico desta modalidade. Segundo a distribuidora, assim que o novo medidor é instalado, o consumo passa a ser medido pela nova forma de faturamento.

O executivo comercial, Arthur Guilarducci de Souza, de 25 anos, espera que a próxima conta de luz de sua casa, no início de fevereiro, já chegue dentro da nova modalidade. Ele fez o pedido para migrar para tarifa branca no dia 3 de janeiro. Segundo ele, a decisão de mudar veio por achar elevado o gasto mensal com energia em sua casa, onde mora com a mulher, Jéssica Nayara, de 26 anos, e o filho, Arthur Pietro, de 1 ano e dois meses. “Pesquisando alternativa, vi que tinha a tarifa branca, fiz simulações e vi que em 90% do nosso tempo consumimos fora do período de ponta.”

Pela tarifa convencional, Arthur diz que paga entre R$ 400 e R$ 500 por mês, consumindo uma média de 520 kWh. Com a mudança, espera economizar pelo menos 20%, mesmo considerando uso que faz fora do horário de ponta, como o banho do filho, por volta das 20 horas.

Apesar da possibilidade de vantagem, a depender do perfil de consumo, Faria explica que desde 2018, quando o serviço passou a alcançar consumidores de baixa tensão com consumo mensal superior a 500 kW/h, a adesão tem sido baixa. Em Goiás, até o último 31 de dezembro, 1.032 clientes tinham aderido à tarifa branca.

Entre as possíveis razões para baixa adesão, o presidente da Anace cita falta de publicidade em torno da nova modalidade. Ele aponta, no entanto, que, consumir menos traz benefício para a matriz elétrica, visto que se diminui o consumo de recursos naturais. “Esse é o intuito da Aneel”.

Fonte: O Popular - Carla Guimarães