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Belo Monte: agentes consideram baixo preço-teto de R$ 68/MWh

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Preço inicial poderá afugentar investidores, segundo especialistas. Para EPE, taxa de retorno é parecida com a de outros empreendimentos
O preço-teto sugerido pela Empresa de Pesquisa Energética para o leilão de Belo Monte, de R$ 68//MWh, foi considerado baixo por especialistas do setor ouvidos pela Agência CanalEnergia. Os agentes esperavam um preço superior ao valor inicial dos leilões das usinas do Rio Madeira, devido a complexidade do empreendimento e do investimento que deverá ser realizado na usina – que varia de R$ 16 bilhões, segundo estimativas iniciais da EPE, até R$ 30 bilhões, na visão dos empreendedores.
Esse preço poderá sofrer alterações, pois foi calculado antes das condicionantes impostas pelo Ibama para a concessão da licença prévia. De acordo com o presidente da Empresa de Pesquisa Energética, Maurício Tolmasquim, este valor está sendo revisto e até o final da semana que vem, os cálculos deverão estar concluídos e logo serão enviados para a nova aprovação do Tribunal de Contas da União. “Do valor total do investimentos, de R$ 16 bilhões, cerca de R$ 2,5 bilhões era para o meio ambiente e esse valor deve aumentar por causa das exigências do Ibama. Então a tarifa também deve aumentar um pouco”, comentou Tolmasquim
Para Carlos Faria, presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia, o preço inicial poderá afugentar investidores que até agora se mostraram interessados pela usina. “O modelo é bom a medida que pode atrair mais investidores”, considerou o executivo. Para ele, o preço-teto de Belo Monte deveria ficar em torno de R$ 90/MWh. “Acho que o custo de construção está mais próximo dos R$ 25 bilhões, principalmente após o Ibama impor 40 condicionantes na emissão da licença prévia”, avaliou Faria.
Raimundo Batista, diretor-superintendente da comercializadora Enecel Energia, também calculou que o preço mais adequado para a usina seria em torno de R$ 85/MWh. “No mínimo, o preço-teto estipulado pela EPE vai subir em 10% com as condicionantes”, calculou o diretor. Ele disse ainda que a EPE sugeriu esse preço de R$ 68/MWh levando em consideração que o mercado livre e autoprodutores – que poderão ter participação de até 30% do empreendimento – pagariam algo em torno de R$ 100/MWh pela energia da hidrelétrica.
“No entanto, essa conta não é tão simples, a medida que os autoprodutores farão parte do consórcio e vão querer pagar pelo preço médio da energia”, afirmou Batista. Segundo ele, essa alavancagem que aconteceu em Santo Antônio e Jirau com vendas de energia mais cara para o mercado livre, pode não acontecer em Belo Monte. “Ainda existe o fato de que se o leilão não for bem sucedido, isso traz ônus para o governo, ainda mais em ano eleitoral. Então acho que o preço deverá ser fechado em um valor mais alto”, apostou o executivo.

Tolmasquim, no entanto, avaliou que o preço é justo e que tem uma taxa de retorno parecida com a de outros empreendimentos. “O valor dessa tarifa pode sofrer uma pequena modificação em função das condicionantes ambientais. No nosso valor estão consideradas as condicionantes que estão no EIA-Rima e a LP teve exigências a mais”, ponderou. Ele disse ainda que o valor inicial deverá aumentar, mas a energia continuará barata. O leilão da hidrelétrica deverá acontecer até o dia 12 de abril, segundo o balanço de três anos do Programa de Aceleração do Crescimento. Procurada pela reportagem da Agência CanalEnergia, a Odebrecht informou, por meio da assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o assunto.

Por Carolina Medeiros, da Agência CanalEnergia, Negócios e Empresas

Fonte: Agência CanalEnergia

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