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Etiene Ramos – Cena Econômica: A conta de luz é nossa

Data: 1/9/2021

O consumidor mais uma vez vai pagar a conta de energia para o país não parar. As medidas anunciadas nesta terça (31) pelo ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, repassam os custos extras que o governo vem tendo com a contratação da energia térmica a fim de compensar a queda na geração hidráulica, causada pela maior falta de chuvas dos últimos 91 anos. A nova  Bandeira de Escassez Hídrica custará R$14,20, para cada 100 kWh, a partir de amanhã (01), e reajustará a conta dos consumidores residenciais do Sistema Interligado Nacional, em média, em 6,78%. Apenas os inscritos na Tarifa Social estão livres. Mas a mudança, que vai até abril de 2022, representa um aumento de 49,6 % ou R$ 4,71 sobre a bandeira vermelha de R$ 9,49% que pagamos por cada 100 kWh. Para aliviar a tensão política que o anúncio traz, vem o bônus de R$ 50,00 como incentivo às famílias que economizarem entre 10% e 20% de setembro a dezembro em comparação com o mesmo período do ano passado.

Para o presidente da Associação Nacional dos Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria, só agora o governo federal mostra o tamanho da crise de energia que vivemos e que poderá piorar com a redução da capacidade dos reservatórios a menos de 10%, caso as chuvas não cheguem até o final do ano. “O governo dizia que não trabalhava com racionamento, que tudo estava sob controle. Para a Anace, não temos alternativa a não ser a redução do consumo”, diz Faria, lembrando que desde outubro passado os reservatórios já estavam muito baixos e, mesmo assim, continuamos até o início deste ano com bandeira verde. “Se tivéssemos usado as térmicas antes não estaria assim. Mas o setor elétrico manteve a geração hidráulica, sem preservar os reservatórios que já há alguns anos não conseguem se recuperar”, observa o presidente da Anace. Se a intenção do governo era evitar o custo político de um racionamento, jogando com o imponderável clima, olhando para o céu à espera da chuva, não teria hora pior para exigir dos consumidores um sacrifício a mais. Instabilidade política e institucional, inflação e desemprego em alta, e o risco de um apagão na esperança bem no momento em que a vacinação abre portas para a retomada econômica pós-pandemia. O Brasil não merece.

Sinais promissores para o Nordeste

Sinais de retomada da economia continuam aparecendo e o Nordeste volta a despontar como mercado promissor e valorizado por sua logística. O consultor Ricardo Di Cavalcanti, da Di Cavalcanti Associados, afirma que esses ativos da região permanecem muito atrativos para empresas do Sul e do Sudeste. Entre os seus clientes, uma indústria de laticínios do Sudeste, decidiu expandir os negócios e quer adquirir uma fábrica, ativa ou não, para iniciar produção local, comprando leite na região. A preferência da empresa, que não pode ser identificada ainda por cláusula de confidencialidade, é pelos Estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas. “A Due Diligence será simples, prática e rápida, realizada pela própria equipe do interessado na aquisição”, afirma o consultor.

Mineração da Bahia em alta

A mineração na Bahia, que envolve 228 municípios, teve um crescimento exponencial este ano. Em agosto, a Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (CBPM) registrou um aumento de 60% na arrecadação da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), o imposto pago pelas mineradoras, que chegou a R$ 91,6 milhões. Com o resultado, a Bahia passa a ocupar o terceiro lugar no ranking nacional de arrecadação da taxa, atrás apenas do Pará e de Minas Gerais. Além da evolução da produção de níquel, cobre e ouro e da alta do dólar que eleva o preço das commodities, a exploração do minério de ferro explica  o crescimento da CFEM. Na cidade de Catité o aumento chegou a 4.745%, com a arrecadação passando de R$84 mil para R$4 milhões entre o primeiro semestre de 2020 e o mesmo período de 2021 – intervalo onde ocorreu um aumento de 900% na produção de minério de ferro. O motivo foi a entrada em operação da mineradora Bamin, em janeiro deste ano.

Chiquinho Sorvetes projeta expansão no Ceará

Com duas unidades em Fortaleza e uma em Sobral, a Chiquinho Sorvetes abrirá mais duas lojas até outubro no Ceará. A franquia aposta no potencial de crescimento na região e, para 2022, a gestora da master franqueadora do Ceará, Edna Pádua, conta com um cenário ainda mais animador em relação à pandemia da covid-19. “Contamos com o apoio da franqueadora para atingirmos nossa meta de vender pelo menos 50 unidade em 2022”, revela. Com mais de 500 operações no país, a Chiquinho Sorvetes oferece quatro modelos de negócios, com investimentos entre R$280 mil e R$350 mil.

Inflação ameaça recuperação de restaurantes

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) também está vendo luzes no final do túnel da crise que fechou diversas casas em todo país. Pesquisa realizada entre os dias 12 e 24 de agosto, mostra uma melhora no caixa dos empresários: 37% deles operaram com prejuízos em julho. Apesar de representar um terço dos associados, é a metade dos 77% que estavam nessa condição em abril passado. As dificuldades de caixa mantém o endividamento nas alturas: 79% dos empresários têm empréstimos contratados e 54% possuem débitos em atraso, 10% a menos do que os devedores de julho. Como 86% do setor é vinculado ao Simples Nacional, 53% dos entrevistados estão com débitos fiscais e temem sair do regime diferenciado devido às pendências. Mas a grande preocupação, para 84% dos empreendedores do setor, é com o aumento da inflação que já levou 65% deles a aumentar o preço dos cardápios no primeiro semestre do ano.

CredAGE Retomada em Pernambuco

A Agência de Empreendedorismo de Pernambuco (AGE) está lançando o  CredAGE Retomada, uma linha de crédito para investimento ou capital de giro de até R$100 mil. Os recursos podem ser acessados por Empresas de Pequeno Porte (EPP), Microempresas (ME) e pelo Microempreendedor Individual (MEI). Para solicitar o crédito, as empresas devem ter faturamento anual de até R$4,8 milhões. O parcelamento é de até 36 meses, e a taxa de juros, com bônus de adimplência, será de 0,99% ao mês. “É uma linha de crédito especial para as micro e pequenas empresas com condições melhores do que as anteriores. Estendemos o prazo e diminuímos a taxa, e isto quer dizer que a prestação diminuiu. Assim, resta mais dinheiro para o negócio e para se pagar o empréstimo”, explica Márcio Stefanni, presidente da AGE, vinculada à Secretaria do Trabalho, Emprego e Qualificação de Pernambuco.

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Fonte: Movimento Econômico