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Geração térmica deve continuar no período úmido

Data: 24/9/2021

Um bom conjunto de medidas para mitigar a crise hídrica vem sendo tomadas pelos órgãos competentes no setor elétrico. Ainda assim, a crise é grave. A situação faz com que nossa preocupação seja não só com o momento atual, mas com o cenário em 2022. Uma recuperação efetiva dos reservatórios se mostra cada vez mais urgente.

Enfrentamos um verão muito ruim no que diz respeito à hidrologia, e seguimos com índices preocupantes. Desde abril até agora, em setembro, as afluências registradas são consideradas as piores dos últimos 90 anos. Embora seja um cenário extremo, é preciso considerar que a situação crítica de armazenamento não é uma consequência apenas do último verão. Já há alguns anos os reservatórios não tem se recuperado de forma satisfatória e, embora não houvesse antes um risco de racionamento, foram anos consecutivos de armazenamento ruim desde 2015.

Diante do complexo cenário, apresentam-se dois desafios. O primeiro é chegar a novembro com nível de armazenamento dos reservatórios registrando pelo menos 10% de capacidade. Para isso, o País está com 100% do parque térmico acionado, importando energia da Argentina e do Uruguai e adotando medidas que incentivem a geração de energia e a redução do consumo.

O segundo desafio é, durante o período úmido, a partir de novembro, conseguir recuperar efetivamente os níveis dos reservatórios, de forma que o próximo período seco inicie com um armazenamento mais confortável nas hidrelétricas. Isso é fundamental para que a grave crise não se repita e possamos evitar riscos de racionamento em 2022.

Para cumprir tal objetivo é provável que será necessário manter as térmicas ligadas mesmo no período chuvoso. É uma medida custosa, mas necessária. Estamos pagando agora um alto preço por não termos recuperado efetivamente os níveis de armazenamento nos anos anteriores. A lição que tiramos é a prudência de sermos mais conservadores com os reservatórios das hidrelétricas. Não há como evitar essa despesa; entretanto, a ANACE volta a reiterar que os custos da geração extra devem ser rateados entre todos os agentes do setor elétrico e os consumidores, e não ser inteiramente repassado a uma única classe. Para enfrentar uma crise como esta, todos devem fazer sacrifícios.

Fonte: Boletim Anace