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Precisamos diminuir o risco de racionamento de energia

Data: 25/6/2021

O setor elétrico enfrenta hoje uma grave crise hídrica devido ao pior verão dos últimos tempos, com incidência de chuvas muito abaixo do esperado. E o momento, apesar de extremo, não tem sido uma exceção. Nos últimos três anos, a energia natural afluente registrou níveis abaixo de 80% da média histórica em muitos meses, exigindo o uso da água contida nos reservatórios para a geração de energia – o que tem ocasionado níveis de armazenamento inferiores a 50% ao longo deste período anos.

A situação atual, com o reservatório do subsistema Sudeste/Centro-Oeste  registrando pouco mais de 30% da capacidade, cria riscos de racionamento de energia  que só não são mais graves por conta da desaceleração do consumo ocorrida por conta da pandemia. Para mitigar o problema, o operador aciona usinas térmicas mais caras, o que resulta em bandeira tarifária vermelha patamar 2 neste mês e provavelmente nos próximos, adicionando uma taxa extra na conta do consumidor e mais custos de geração que podem onerar ainda mais as tarifas.

É inegável a necessidade de evitar racionamento, a Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE) se preocupa com a urgência de assegurar condições de atendimento do mercado e ressalta que o planejamento para abrandar o período seco deve levar em consideração tanto o ano de 2021 como o próximo. No entendimento da ANACE, é preciso garantir que 2022 inicie com níveis de armazenamento mais confortáveis, afim de suportar o inicio de uma retomada econômica, que consequentemente, acelera o crescimento do consumo de eletricidade. Mas o acionamento das térmicas não deve ser a única alternativa.

Há outras medidas que podem ser adotas e não encarecem as tarifas, como iniciar rapidamente uma campanha nacional de conscientização para redução e racionalização do consumo de energia por parte da população, de maneira similar ao que é feito para o consumo de água. Também é interessante criar mecanismos para que as empresas que têm geradores de back-up possam  ofertar energia no mercado, e ainda oferecer estímulos aos geradores de energia a biomassa, com cogeração e outras fontes alternativas de forma a ampliar a sua participação.

Sugerimos, ademais, que o Governo estimule a implementação de programas de eficiência energética, como a troca de lâmpadas, geladeiras e equipamentos de ar condicionado por outros mais modernos e com consumo menor do insumo. Lembramos que tais medidas já foram adotadas no passado e muitas delas já possuem base legal estabelecida para serem retomadas.

As medidas sugeridas podem ajudar o sistema de bandeiras tarifárias a cumprir uma de suas principais funções: sinalizar para o consumidor a necessidade de economizar energia, objetivo que nem sempre é atingido com a  taxa extra. Ações de impacto cultural, se adotadas de imediato, podem contribuir para mitigar o perigo de um racionamento e também diminuir a pressão sobre os preços de energia e, por consequência, sobre a inflação. A ANACE entende que é importante fazer uso desses recursos o mais breve possível, de modo a não comprometer a retomada da economia que já dá sinais de início no Brasil.

Fonte: Boletim Anace