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Setor da energia solar prevê aumento na procura após alta na conta de luz

Data: 9/7/2020

O setor de energia solar sofreu impacto severo na demanda, no início da pandemia. Mas agora já faz as contas para estimar o aumento da procura pela geração de energia em casa e nas empresas. O aumento na conta de luz, com o socorro a distribuidoras, e a retomada dos investimentos deverão impulsionar o segmento, na visão do presidente da Absolar, a associação do setor, Rodrigo Sauaia.

O executivo explica que a crise represou a demanda no primeiro momento. Famílias e empresas congelaram os planos de investimento, o foco passou a ser o combate à pandemia no curto prazo. Na fase seguinte, diz Sauaia, haverá a busca por redução de custos. Os planos de expansão da energia solar contam com isso.

Já se sabe que o preço da energia vai sofrer um impacto maior em 2021. Ano que vem o consumidor começará a pagar a chamada “conta-Covid”, os empréstimos para equilibrar o caixa das distribuidoras. Na segunda-feira, a Aneel revelou que as empresas pediram R$ 14,8 bilhões. Há pedidos para que o programa seja estendido para geradoras e transmissoras. O mecanismo já havia sido usado no final do governo Dilma. Os bancos, liderados pelo BNDES, cobrarão mais. A taxa ficará em 3,9% mais o CDI. Na operação anterior, havia chegado a 2,5% mais o CDI. O empréstimo será pago em 60 meses. A Associação Nacional dos Consumidores de Energia estima que esse reequilíbrio financeiro do setor pode demandar até R$ 70 bi.

— O mercado tem a demanda reprimida, percebemos isso. Tão logo as empresas e famílias retomarem as atividades, a conta da energia vai tomar um espaço maior no orçamento delas. A luz já costuma ser o segundo maior custo operacional das empresas, depois dos salários. Entendo que haverá mais atenção a essa despesa. É uma oportunidade para o setor de energia solar fotovoltaica. Com ela, o consumidor sabe o quanto custará a energia elétrica pelos próximos 25 anos, o tempo de vida útil do equipamento — explica Sauaia.

Apesar da pandemia, o setor criou 37 mil novos empregos este ano. Um salto em relação às 130 mil vagas que tinham sido criadas do início da energia solar no país até o ano passado. A previsão era abrir 120 mil postos de trabalho no ano, com investimentos de R$ 19,7 bi. Algo como R$ 6 bilhões já foram investidos. Na visão da Absolar, esse potencial não se perdeu com a crise.

Sauaia explicou que o governo tem ouvido as sugestões do setor para acelerar o crescimento da energia solar. A nova fase do programa habitacional do governo, que está em estudo, pode contar com incentivo para a instalação de painéis nos prédios. No Plano Safra 2020/21, houve aumento do crédito para a energia solar nas propriedades rurais. O aumento na conta de luz, com o socorro às distribuidoras, pode acabar por alavancar a energia solar.

Fonte: O Globo - Miriam Leitão