Na semana passada, a empresa de inteligência de mercado Pike Research revelou que o nÃvel de apoio da opinião pública americana à s energias limpas vem caindo desde 2009, quando 50% da população se dizia "extremamente favorável" ou "muito favorável" à s novas tecnologias como carro elétrico e redes inteligentes. Em 2010, esse Ãndice caiu para 45% e, em 2011, para 43%.
Os resultados deste estudo surgem em um momento desfavorável para o setor clean-tech dos Estados Unidos que começou em 2008, com a crise financeira, e se agravou nos últimos anos, com a forte redução dos preços de gás natural (o custo de produção de energia elétrica com gás natural caiu 40% desde 2008) e a invasão dos painéis solares chineses, que já detêm mais de 54% de participação do mercado global de painéis (era 6%, em 2005). A recente falência da empresa Solyndra, um dos principais produtores americanos de painéis solares, é um sintoma dessas dificuldades.
Este aparente arrefecimento da energia limpa americana está na contramão da anunciada Terceira Revolução Industrial (TRI), como a designou o economista Jeremy Rifkin no seu novo livro. Para o professor Rifkin, esta TRI resultará da fusão do "conceito da internet" com as energias renováveis, conduzindo ao advento de uma verdadeira "internet da energia", que vai revolucionar a forma como a sociedade, as empresas e as pessoas se relacionam e se organizam.
A nova "internet da energia" será sustentada por mudanças de comportamento do mercado. A primeira delas será o crescimento da geração de energia a partir de fontes renováveis. Cada edifÃcio será capaz de produzir a sua própria energia, a partir de fontes renováveis, tornando-se uma pequena usina elétrica. Essa energia poderá ser armazenada, possivelmente em células de combustÃvel, e todos os consumidores poderão "trocar" energia entre eles, como hoje se trocam dados pela internet. Os veÃculos serão elétricos e poderão carregar ou descarregar energia para a rede. Este será o conceito de uma "democracia de energia".
Um elemento crÃtico desta futura "enernet" (energy+internet) será o armazenamento local de energia, que ainda não assumiu formatos comercialmente viáveis. Uma das possÃveis soluções será o armazenamento sob a forma de energia quÃmica do hidrogênio. A conversão se dá pelo processo de eletrólise da água, na qual a passagem de energia elétrica (gerada por fontes renováveis) separa as moléculas de água em átomos de hidrogênio e oxigênio. O hidrogênio, então, poderá ser armazenado para posterior utilização em células de combustÃvel, que recombinam o oxigênio do ar com o hidrogênio para gerar novamente eletricidade, quando esta é necessária.
Esta "internet da energia" já está sendo testada em seis regiões da Alemanha, em um projeto (E-Energy) que mereceu forte apoio da chanceler Angela Merkel. O anunciado encontro desta semana entre a presidente Dilma Rousseff e a lÃder alemã, em Hannover, seria uma boa oportunidade para criar um intercâmbio entre o Brasil e as experiências europeias de redes de energia inteligentes. Esperemos que o "tsunami monetário" não monopolize o encontro.
De março de 2008 a dezembro de 2011, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) contabilizou 914 projetos de eficiência energética apresentados pelas concessionárias, com investimentos da ordem de R$ 2,4 bilhões. Os projetos envolvem iniciativas relacionadas ao aquecimento solar, à gestão energética municipal e à cogeração, entre outros. Ao todo, houve economia de energia da ordem de 2,06 milhões de megawatt-hora no ano (MWh/ano).
Considerando o consumo médio de 150 kWh/mês por unidade consumidora, a economia obtida com os projetos equivale ao consumo de 1 milhão de unidades consumidoras por ano, aponta a Aneel. Além disso, a execução dos projetos possibilitou a redução da demanda no horário de ponta (entre 18h e 21h) da ordem de 705,8 mil quilowatts (kW), aponta a Aneel, destacando que a diminuição contribui para reduzir a necessidade de investimentos na expansão da oferta.
No mesmo perÃodo, também foram realizadas substituições ou implantação de equipamentos para combater o desperdÃcio de energia, com a troca de mais de 600 mil geladeiras, e a distribuição de aproximadamente 16 milhões de lâmpadas fluorescentes compactas.
As distribuidoras de energia elétrica devem aplicar anualmente no mÃnimo 0,5% de sua receita operacional lÃquida em ações que tenham por objetivo combater o desperdÃcio. A obrigação está prevista nos contratos de concessão e permissão assinados pelas distribuidoras.
Passados dez anos do racionamento de energia que o paÃs foi submetido, a redução do consumo de energia elétrica e a eficiência energética voltam a ser assunto com a criação pelo Ministério das Minas e Energia do Plano Nacional de Eficiência Energética, que tem por objetivo cumprir determinação estabelecida no Planejamento Energético Nacional, que pede 10% de economia de energia anual até 2030, em torno de 106 TWh. De acordo com Hamilton Moss, diretor do Departamento de Desenvolvimento Energético do MME, o objetivo do Plano é organizar ações para alcançar a meta estipulada. "Temos que organizar e articular ações que permitam que a gente consiga chegar esse percentual", explica.
CombustÃveis fósseis - carvão mineral, petróleo e gás natural - são responsáveis por mais de 80% da energia que é consumida no mundo. O seu uso permite que parcela importante da humanidade tenha um nÃvel de vida sem precedentes na História: mais de 2 bilhões de pessoas, um terço de toda a população da Terra, que vive na Europa, na América do Norte, no Japão e nas grandes cidades dos chamados paÃses em desenvolvimento.
Infelizmente, o uso em larga escala, e muitas vezes predatória, desses combustÃveis deu origem a problemas que teremos de resolver nas próximas décadas, alguns dos quais parecem insolúveis: em muitos paÃses, as reservas estão se esgotando, tornando o acesso a eles cada vez mais difÃcil e dando origem a conflitos regionais, até guerras. Além disso, no seu conjunto, esses combustÃveis são a principal causa dos problemas ambientais que afligem a população, que vão desde a má qualidade do ar nas grandes cidades até o aquecimento global do planeta.
Dentre todos os combustÃveis fósseis, o gás natural é o mais atraente, porque não contém impurezas, como o petróleo e o carvão, pode ser transportado facilmente e usado com melhor eficiência do que os outros. Não é por outra razão que boa parte da eletricidade gerada na Europa provém do gás importado da Rússia.
Ainda assim, as reservas de gás no mundo não são inesgotáveis e devem ser usadas com sabedoria. Sobretudo quando existem alternativas para o seu uso.
Em muitos paÃses, como o Brasil, só para dar um exemplo, a eletricidade pode ser produzida por usinas hidrelétricas. Nesses casos, o gás deve ser reservado para fins mais nobres na indústria e para uso residencial.
Há exemplos de sucesso dessa estratégia, sobretudo no Estado de São Paulo, onde a rede de distribuição de gás aumentou muito nos últimos 25 anos para atender aos consumidores e ao setor produtivo. Alguns setores industriais que substituÃram óleo combustÃvel por gás natural, como o de cerâmica, se beneficiaram com a utilização de tecnologias melhores, que valorizaram os seus produtos e, acima de tudo, são mais limpas do ponto de vista ambiental, dessa forma, por conseguinte, beneficiando toda a população nas localidades onde estão instaladas.
A Petrobrás, no passado, nunca teve muita simpatia pelo uso de gás, que era obtido juntamente com o petróleo dos poços que perfurava e durante anos era queimado nas plataformas de exploração flared. O governo paulista teve de lutar muito na década de 1980 para que fosse construÃdo o gasoduto Rio-São Paulo, que permitiu à Companhia de Gás de São Paulo (Comgás) ampliar a sua rede de distribuição. A situação só melhorou com a construção do gasoduto Brasil-BolÃvia.
Mas agora a Petrobrás parece ter acordado para a importância do gás na matriz energética nacional. E passou ela mesma a utilizar parte do gás que produz para a geração de eletricidade em usinas termoelétricas. Além disso, o setor privado tem demonstrado grande interesse por essa opção, uma vez que gerar eletricidade usando gás é eficiente e as usinas podem ser construÃdas rapidamente.
A forma como a Empresa de Planejamento Energético (EPE) promove os seus leilões para aumentar a geração de eletricidade levou, contudo, a uma confusão nesse setor.
Nos leilões previstos para dezembro, todas as opções de geração são misturadas (usinas hidrelétricas novas e ampliação das antigas, pequenas centrais hidrelétricas, energia eólica e de bagaço de cana-de-açúcar). O governo não pode ficar impassÃvel diante de "modismos" nesse setor: usinas usando gás não podem ser construÃdas em qualquer lugar, mas dentro de um plano de distribuição de energia que otimize o sistema.
Não é o que está acontecendo. Foram propostos no leilão 34 projetos (22 dos quais no Norte e no Nordeste) usando gás que gerariam 13 milhões de quilowatts (correspondentes a uma usina de Itaipu), 2 milhões de quilowatts com hidrelétricas e apenas 700 mil quilowatts com bagaço de cana. Estas últimas são energias renováveis e não poluentes, que é a direção que devemos seguir. Caso contrário nos tornaremos prisioneiros de um combustÃvel como o gás, que é melhor do que o carvão e o óleo combustÃvel, mas, ainda assim, fóssil - ou seja, não vai durar para sempre. O que se poderia também perguntar é se a instalação de 22 usinas a gás no Norte/Nordeste, onde o consumo de eletricidade é baixo, é de fato a solução mais racional.
A "corrida" para instalar usinas a gás já está criando problemas para a própria Petrobrás, que não consegue garantir esse combustÃvel para todas as propostas, localizadas em 11 Estados, que exigiriam 64 milhões de metros cúbicos por dia, se fossem todas instaladas. No mercado atual só estão disponÃveis 43 milhões de metros cúbicos de gás por dia.
Existe, portanto, um evidente descompasso entre a quantidade de gás que a Petrobrás pode oferecer e a demanda que resulta do processo inadequado de leilões da Empresa de Planejamento Energético - o que evidencia a total falta de entrosamento entre dois setores crÃticos da área energética do governo federal.
O leilão previsto para dezembro está encontrando também outras dificuldades, pelo fato de que as hidrelétricas propostas ainda não receberam licença ambiental e, portanto, dele não poderão participar.
Diante desses problemas, seria oportuna a convocação do Conselho Nacional de PolÃtica Energética (CNPE), órgão de assessoramento da Presidência da República, no qual têm assento um representante dos Estados e especialistas independentes em energia. O CNPE teve no passado importante papel na definição dos rumos da polÃtica energética do PaÃs, sendo um foro privilegiado em que pressões corporativistas podem ser mais bem equacionadas.
Os resÃduos vegetais deixados no campo pelo agronegócio têm potencial para gerar de 120 milhões a 130 milhões de MW/h de energia ao ano - cerca de um terço de toda a energia consumida no paÃs. Teoricamente, para transformar essa biomassa em energia, bastaria retirar 40% do material deixado nas plantações. "Com isso, não haveria nenhum tipo de dano do ponto de vista de recuperação do solo", observa Luciano Basto, pesquisador do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). No entanto, o alto custo do transporte dos resÃduos torna o negócio pouco atraente.
O aproveitamento do bagaço de cana é praticamente uma exceção. "Como a produção de açúcar e álcool inclui o transporte da cana até a área de processamento, e o resÃduo fica lá mesmo, isso facilita o aproveitamento da biomassa. Nas outras culturas, o resÃduo é deixado no solo da plantação ou queimado no local", explica Basto. "Já gerar energia a partir dos restos do milho ou da soja sai bem mais caro."
Para gerar energia, a biomassa vegetal passa por processo de queima de material orgânico para a geração de calor e de vapor, que movimenta uma turbina geradora. "Toda queima de material gera uma quantidade de CO2, mas nesse caso, esse total é anulado pela fotossÃntese do CO2 na fase de crescimento da planta", informa Basto.
O potencial brasileiro para geração de biomassa atrai empresas e institutos de pesquisas no exterior. A Coppe/UFRJ firmou convênio com a universidade chinesa de Tsinghua e a companhia dinamarquesa Novozymes, maior produtora mundial de enzimas, para testar matérias-primas brasileiras em processo de produção de biocombustÃveis de 2ª geração. "Os chineses detêm tecnologia que usa enzimas para reaproveitar a borra gerada por plantas usadas na produção de biodiesel", diz Ricardo Villela, pesquisador da Coppe/UFRJ.
Segundo ele, se tudo der certo, a tecnologia será licenciada no Brasil pela Coppe/UFRJ, com royalties compartilhados com a universidade chinesa. O uso da borra, diz ele, pode viabilizar novos projetos de biodiesel. "O óleo de palma é mais caro que o biodiesel, e muitas vezes ele não compensa para o agricultor", explica. "Mas se ele produzir o combustÃvel a partir da borra, ganha um novo produto e se livra de um passivo ambiental."
Outro projeto da Coppe/UFRJ visa a produção de etanol a partir da hidrólise da celulose no bagaço de cana. "Com isso podemos aumentar em até 50% o aproveitamento energético da cana", diz Villela. No processo normal, apenas um terço da energia contida na planta é aproveitada. A pesquisa vem sendo realizada em parceria com o Instituto de QuÃmica da UFRJ e conta com o financiamento da Jica, agência de cooperação tecnológica do Japão.
Há também grande potencial energético no uso de dejetos de aves, suÃnos e bovinos. Há décadas, esses resÃduos provocam graves problemas ambientais no Oeste do Paraná, onde os rebanhos confinados contam com 1,5 milhão de suÃnos e 500 mil cabeças de gado leiteiro e se produz 40 milhões de aves. O problema é que a receita gerada pela carne e pelo leite não paga o tratamento desse resÃduo.
A solução é usar o material para geração de energia e produção de biofertilizantes. Com o apoio da Itaipu Binacional, grandes, médios e pequenos produtores da região geram quase 7 mil m3 de biogás por dia, atendendo suas próprias necessidades energéticas, reduzindo a emissão de CO2 e a poluição nos rios. Em quatro anos e meio, foram investidos R$ 6,5 milhões no projeto. "A potência instalada é de apenas 700 KVa, mas para esses produtores é como ter uma Itaipu particular", diz CÃcero Bley Jr., superintendente de energias renováveis da companhia geradora. E os pecuaristas e avicultores podem vender o excedente para a Companhia Paranaense de Energia (Copel), segundo Bley Jr. "Uma das granjas, a Colombari, que tem 4,2 mil suÃnos, vem obtendo receita adicional de quase R$ 30 mil por ano com o excedente de energia."
Reaproveitar a biomassa ajuda a garantir a autossuficiência energética da Veracel. A fabricante de celulose gera até 15 mil MW/h, suficiente para atender a uma cidade com 50 mil habitantes. E, apesar de operar com cerca de 30% de capacidade ociosa nas plantas de geração, gera a própria energia e vende excedentes a clientes cativos e para o mercado spot. "A maior parte da nossa energia é gerada a partir do 'licor', resÃduo que mistura elementos orgânicos e inorgânicos formados pelo cozimento do material para fabricação de celulose", diz Ari Medeiros, diretor de operações da empresa baiana. "A biomassa de eucalipto responde por 7% do total gerado." Os US$ 25 milhões investidos na planta de biomassa foram amortizados em cinco anos, informa o executivo.
A intensidade das mudanças climáticas e a expansão da malha em quase 50%, nos últimos anos são apontadas pelas distribuidoras de energia como fatores responsáveis pela deterioração dos indicadores de qualidade do serviço. O programa Luz para Todos fez a rede básica de distribuição aumentar de 2 milhões para 3 milhões de quilômetros. Trabalhando com uma densidade menor, já que esse crescimento ocorreu sobretudo em áreas rurais, a rede tende a ficar mais exposta a sobressaltos.
"A relação de megawatt-hora por quilômetro de rede diminuiu, e ela também ficou mais vulnerável a chuvas e trovoadas", diz o presidente da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), Nelson Fonseca Leite. "As redes elétricas do passado foram construÃdas para suportar rajadas de vento de 80 km/h ou 90 km/h. Os ventos que causaram blecautes em São Paulo recentemente alcançaram 160 km/h", compara.
De acordo com Osmar Pinto Jr., coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as mudanças climáticas no municÃpio de São Paulo demonstram os novos desafios que a rede de distribuição precisa encarar. Nos últimos 50 anos, a temperatura média na cidade aumentou cerca de 20C, quatro vezes mais do que no Brasil como um todo. "Chuvas acima de 100 milÃmetros por dia, que eram extremamente raras, tornaram-se eventos comuns."
Hoje, o ano tem pelo menos cem dias com tempestades nessa intensidade. Há meio século, eram 60 dias, no máximo. Nos últimos 13 anos, houve três tempestades em São Paulo com mais de 1.500 raios em um mesmo dia: uma ocorreu em 2009 e outras duas em 2011.
A outra face dos temporais são estiagens também rigorosas, que favorecem as queimadas. O próprio Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) atribuiu o aumento das perturbações com corte de carga superior a 1.000 MW - foram seis em 2010, o dobro do registrado nos três anos anteriores - à "ocorrência de perdas triplas na interligação Norte-Sudeste, motivadas por alta incidência de queimadas". Neste ano, o número de perturbações com cortes acima de 1.000 MW voltou a cair, para duas ocorrências até setembro.
Nelson Fonseca Leite observa que as distribuidoras, por estarem na última ponta da relação com os consumidores, acabam respondendo também pelos problemas de transmissão. "Como é a distribuidora que atende aos consumidores, é ela quem paga a conta, embora muitas vezes não esteja na origem do problema."
A expansão do mercado livre de energia elétrica tem atraÃdo grupos empresariais dos mais variados…
RIO DE JANEIRO, 23 Abr (Reuters) - A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) poderá…
O assunto vem à tona num momento em que os consumidores estão preocupados com a…
O assunto vem à tona num momento em que os consumidores estão preocupados com a…
As recentes greves nas obras das usinas Jirau e Santo Antônio, que estão sendo construÃdas…
Clique nos links abaixo para acessar os documentos