A várzea do setor elétrico
Como explicar que, a despeito da fartura de energia, acaba de ser realizado um leilão para contratar usinas para ficarem à disposição do sistema, ou seja, para gerar energia apenas quando for realmente necessário, pela bagatela de até R$ 800 bilhões?
Se a física não consegue esclarecer, a política tem a resposta na ponta da língua: isso se deve à escolha política deliberada de atender a lobbies setoriais em detrimento da tarefa de arrumar a bagunça do setor elétrico.
O problema não começou com o atual ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, mas certamente se agravou sob sua gestão. Ao mesmo tempo, o Congresso replica o modus operandi de repassar custos aos consumidores: todo projeto de lei que chega ou sai do Legislativo visa a prorrogar subsídios que já deveriam ter acabado e assegurar essas mesmas vantagens a segmentos nascentes, caso das usinas a hidrogênio e das eólicas em alto-mar.
Com isso, o consumidor paga bem mais do que deveria por energia de todo tipo: limpa ou suja, nova ou velha, em todo o Brasil e – pasmem – até mesmo no Paraguai. Essa farra promovida pelo governo, pelo Congresso e pelos lobbies precisa acabar.
Confira aqui a íntegra do editorial do Estadão.
O Estado de S. Paulo
12/06/26

