A urgente reforma do setor elétrico

A urgente reforma do setor elétrico

A partir de 2012, com a interrupção da construção de novos reservatórios, o país passou a depender cada vez mais de fontes renováveis intermitentes para suprir o crescimento do consumo. Diferentemente das demais fontes, elas fornecem energia, mas consomem flexibilidade do sistema devido à natureza intermitente de seus recursos.

Mas, além da ausência de preços para serviços ancilares, o modelo setorial atual define o preço de curto prazo da eletricidade no atacado com um dia de antecedência. Isso faz com que todos os erros entre o que foi previsto e o que efetivamente ocorreu de um dia para o outro, bem como a maior parte dos custos das ações operativas realizadas para corrigi-los, sejam pagos por fora do mercado. Nesse desenho, não cobramos o custo causado por aqueles que introduzem incerteza no sistema nem remuneramos aqueles que ajudam a endereçá-la.

A essas distorções soma-se o atalho perigoso adotado por meio de subsídios para garantir que as fontes renováveis conseguissem se instalar e prosperar frente às fontes convencionais.

É nesse cenário, em que o preço de curto prazo já não representa mais a realidade do sistema, que a competição deixa de operar em benefício de todos e passa a se dar em torno de subsídios. No caos econômico e regulatório, o poder do lobby ocupa o lugar da inteligência de mercado.

A solução estrutural dos problemas atuais está muito mais associada à redução gradual, mas célere, de subsídios, à aproximação do PLD à operação em tempo real, à criação de mercados de serviços ancilares e ao desenvolvimento de novos instrumentos e canais de gestão de risco do que aos atuais leilões de capacidade.

Confira a íntegra do artigo do professor Alexandre Street publicado no Valor Econômico.

Valor Econômico

24/02/26