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Perspectiva Energia: Estimativa é de equilíbrio entre consumo e demanda

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A expansão da capacidade instalada anda em ritmo adequado de acordo com especialistas e representantes de grandes consumidores de energia, que não acreditam que haja dificuldade para a segurança no
fornecimento de energia elétrica, no que se refere ao equilíbrio entre oferta e demanda.
 Na semana passada, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou que capacidade instalada de energia elétrica no Brasil aumentou 5,7% em 2010 em relação a 2009, para 112,398 gigawatts (GW), com 2.336 usinas no parque gerador. Já a expansão do consumo apresentada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) em 2010 na comparação com 2009 é de 7,8%.
“As porcentagens devem bater no longo prazo. A capacidade está crescendo mais ou menos junto com o consumo”, disse o economista do Grupo de Estudos do Setor Elétrica (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Roberto Brandão, ao detalhar que a situação não é preocupante.
Segundo ele, apesar de o consumo ter crescido muito mais que a capacidade instalada no ano passado, no longo prazo, o crescimento do consumo médio acaba sendo de 4% ao ano, conforme o esperado em 2006 e 2007.
 O economista lembra que em 2009 não houve aumento no consumo de energia. De acordo com os dados da EPE, houve retração de 1,1% no consumo nacional naquele ano em relação à 2008, como resultado da crise econômico-financeira que afetou a atividade industrial. Assim, o crescimento do consumo em 2010, apresenta uma recuperação em relação ao que já era esperado em 2009.
 A preocupação para o suprimento poderia estar relacionado com o atraso da
entrada de usinas termelétricas, na avaliação do economista. Brandão considera que as usinas hidrelétricas, de certa forma, têm cumprido os cronogramas, entretanto, o atraso pronunciado da entrada de usinas termelétricas poderia prejudicar a segurança do sistema no futuro. “Temos uma quantidade de projetos com problema, o que gera um desconforto”, disse.
O presidente da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais e
Consumidores Livres de Energia Elétrica (Abrace), disse que a expectativa é de uma relativa “sobra” de capacidade instalada. “Essa sobra acaba se refletindo no custo da energia. Existe uma preocupação em relação ao preço e não em relação à falta”, comentou.
Atualmente, segundo ele, a indústria paga cerca de US$ 160 por MWh, com perspectiva de aumento de preço, a medida em que passam a entrar na conta da indústria os contratos de energia elétrica mais caros, com usinas térmicas.
Pedrosa também menciona os impostos incidentes na energia elétrica, entre os quais está a Reserva Global de Reversão (RGR), prorrogada até 2035.
 A mesma reclamação parte do presidente da Associação Nacional dos
Consumidores de Energia (Anace), Carlos Faria, que espera que as emendas modificativas apresentadas no Congresso possam resultar em uma suspensão da cobrança ou até mesmo na redução gradativa da RGR até zero em cinco anos, conforme explica Faria em relação a uma das emendas que foi apresentada no Congresso.
Além disso, a preocupação com segurança do fornecimento para os grandes consumidores também está relacionada a continuidade do fornecimento. Pedrosa da Abrace lembra que o blecaute ocorrido no Nordeste, recentemente, chegou a afetar 25 associados, com prejuízos de cerca de R$ 100 milhões. “Essa estimativa, fizemos a partir de informações dos associados, prejuízos do
Pólo de Camaçari e uma avaliação considerando as horas de perdidas de PIB industrial”, disse.
 As informações repassadas pelas empresas são resultados de queima de equipamentos e interrupção de processos. Pedrosa explica que algumas indústrias ainda não retomaram totalmente a produção.
Faria, da Anace, considera que outro problema relacionado aos blecautes é a
“falta de transparência” na explanação dos motivos que levaram ao apagão, dificultando que a indústria se prepare. Segundo ele, até agora, as informações indicam que os blecautes são resultado de falta de manutenção de equipamentos, treinamento inadequado de pessoal e falta de segurança dos equipamentos usados.
 Faria explica que alguns dos associados possuem equipamentos de geração auxiliar para manter as principais máquinas e as operações vitais das empresas em funcionamento, no caso de um blecaute. Outros consumidores que ainda não possuem essas alternativas, estão avaliando a possibilidade de implementá-las, conforme explica o presidente.
 O incentivo a esse tipo implantação por parte dos governos, segundo ele, é importante mas, Faria ressalta que não deve ocorrer transferência da  responsabilidade do governo federal no fornecimento dessa energia, inclusive no horário de ponta.
 No que se refere à relação entre equilíbrio da oferta e da demanda de
energia, a Anace, que congrega além de indústrias, associados nos setores de comércio e serviço, não considera que haja preocupação. “A Anace vê com tranquilidade o suprimento de energia. Quando analisamos os números da EPE,
vemos que a demanda será atendida, conseguindo acompanhar o crescimento do país”, disse.

Fonte: Agência Leia – Anna Flávia Rochas

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