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Brasil requer resiliência hídrica

Data: 20/10/2021

A Rede Brasil do Pacto Global da ONU, em parceria com a Fundação Grupo Boticário e a The Nature Conservancy Brasil, realizou na última sexta-feira (15), o evento ‘CEO Roundtable: Resiliência Hídrica e Energética», que contou com líderes empresariais, representantes do Pacto Global e especialistas no tema para debaterem sobre a crise hídrica e energética no Brasil e como alcançar resiliência, considerando como fundamentais os direitos humanos (universalização do acesso), o meio ambiente (resiliência e disponibilidade) e a produção (nas operações, segurança hídrica e energética) relacionados à água.

O ‘CEO Roundtable: Resiliência Hídrica e Energética» é uma iniciativa da Plataforma de Ação pela Água da Rede Brasil do Pacto Global, em parceria com a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e The Nature Conservancy Brasil, patrocinada pela Aegea Saneamento, Copasa e Sanepar, e com o apoio das iniciativas Aliança Bioconexão Urbana e Water Resilience Coalition.

‘Estamos experimentando fenômenos climáticos mais intensos e frequentes e vivendo uma crise hídrica histórica. A crise de 2014 e 2015, para mim, nunca passou de fato. Atualmente não conseguimos olhar para trás e planejar o futuro como sempre fizemos e isso é um problema. Precisamos discutir como conseguimos ter resiliência hídrica em um futuro incerto, também para as empresas. Esse tema não é muito discutido nas empresas aqui no Brasil e precisamos avançar. Precisamos de um movimento em conjunto e em parceria para alcançarmos essa resiliência hídrica e energética’, afirmou Carlo Pereira, Diretor-Executivo do Pacto Global da ONU, em participação no evento.

Além dele, Thiago Terada, diretor-presidente Águas de Manaus (AM) e Águas de São Francisco (PA) da Aegea Saneamento e Coordenador da Plataforma de Ação pela Água da Rede Brasil do Pacto Global; Dra. Thelma Krug, Vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC); Júlio Gonchorosky, Diretor de Meio Ambiente da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), integrante do Movimento Viva Água; André Ferretti, Gerente Sênior de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário, idealizadora do Movimento Viva Água; e Carlos Eduardo Tavares de Castro, Diretor-Presidente da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa MG), também estiveram presentes e apresentaram cases de sucesso e painéis sobre a situação da água e energia no Brasil e no mundo.

‘A discussão dessa temática vem em hora apropriada, já que os resultados do recém-lançado relatório do IPCC sobre a ciência física da mudança do clima são bastante preocupantes, indicando que as mudanças recentes no clima são generalizadas, rápidas e estão se intensificando, e não tem precedentes em milhares de anos’, afirmou a Dra. Thelma Krug, vice-presidente do IPCC, durante o evento.

O CEO Roundtable ainda promoveu um debate com líderes de grandes empresas. Na pauta, foram debatidos o cenário atual de crise hídrica e energética, boas práticas e soluções sobre o tema. O evento contou com a participação de 17 líderes empresariais dos setores de saneamento, energia, estratégia, tecnologia, industrial e bebidas.

‘Garantir a segurança hídrica é um dos maiores desafios da crise climática, que é também uma crise da água. O envolvimento do setor privado é fundamental porque é parte da solução para o desenvolvimento e a implementação de medidas como as Soluções Baseadas na Natureza (SBNs) que contribuem para mitigar e adaptar tais impactos decorrentes das mudanças climáticas e que, combinadas com outras medidas em uma ação coletiva, possibilita alavancar e dar escala aos investimentos e aos impactos ambientais, sociais e econômicos de maneira duradoura’, afirmou o Gerente Nacional de Águas da TNC Brasil, Samuel Barrêto.

‘É com imenso orgulho que participamos desta iniciativa. Na Aegea temos como premissa a transformação de vidas, indo além dos nossos serviços básicos em saneamento. Garantir a segurança dos recursos hídricos e a gestão sustentável da água são fatores determinantes para proporcionar vidas mais dignas e saudáveis, principalmente para a população mais vulnerável,’ disse o diretor-presidente da Aegea Saneamento, Radamés Casseb.

O CEO da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), Carlos Eduardo Tavares de Castro, reforçou o engajamento da empresa com a temática: ‘Temos muito orgulho em participar de mais esta iniciativa, em parceria com o Pacto Global. A Agenda ESG da Copasa é pautada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Dessa forma, inserimos a sustentabilidade no nosso negócio, sobretudo com estratégias voltadas para o alcance das metas previstas para o ODS 6. Com o propósito de cuidar da água e gerar valor para as pessoas, zelamos pela atuação em rede para acelerar o alcance da Agenda 2030.’

Mudanças do clima representam grande ameaça

As mudanças do clima representam uma das ameaças mais sérias às sociedades, economias e ambientes em todo o mundo. A comunidade empresarial já está enfrentando os efeitos físicos adversos das mudanças do clima, como o aumento dos custos operacionais e a possibilidade de interrupção da produção. Esses impactos climáticos são expressos de forma mais proeminente por meio de mudanças no ciclo da água, incluindo chuvas torrenciais, enchentes e longos períodos de estiagem, muitas vezes ocorrendo até mesmo de forma simultânea na mesma região.

A mudança do clima está aumentando o estresse hídrico em diversas regiões do planeta, representando um grande desafio para os setores intensivos em água, como vestuário, alimentos, bebidas e agricultura. As empresas com ativos fixos de longa duração, como as dos setores de mineração e energia, são especialmente vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas relacionados à água. No Brasil, por exemplo, onde 64,9% da energia elétrica é gerada por usinas hidrelétricas, as crises hídricas, cada vez mais frequentes, passam a ser bastante preocupantes também para o setor energético.

‘Diante das mudanças hidrológicas, que afetam os sistemas hídrico e elétrico, a adaptação para aumentar a resiliência dos sistemas aos riscos de impactos projetados e aos riscos da mudança do clima já se faz necessária. (?) Medidas de adaptação para lidar com as mudanças nos ecossistemas de água doce foram implementadas em muitos locais ao redor do mundo, mas ainda restam desafios, incluindo a necessidade de evidências de sua eficácia, ampliação dessas intervenções, integração em todos os setores e mais financiamento para adaptação’, explicou a Vice-presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), Thelma Krug.

Na Declaração de Posicionamento Empresarial, construída de forma coletiva pelos líderes e que será levada a outros importantes players do mercado brasileiro, houve a preocupação em reafirmar o compromisso em reconhecer a urgência e relevância da tomada de ações concretas em busca da resiliência hídrica em operações e serviços; bem como em promover o engajamento pela universalização do acesso ao saneamento e pela proteção das bacias hidrográficas brasileiras.

Esses são pontos de partida para as demais metas, como a melhoria da qualidade da água nos corpos hídricos, a eficiência do uso da água em todos os setores e garantia de retiradas sustentáveis, a gestão integrada dos recursos hídricos em todos os níveis, e a proteção e restauração de ecossistemas relacionados com a água.

‘Todos nós – organizações, indivíduos, sociedade, poder público – precisamos entender de que forma podemos atuar a favor da sustentabilidade do nosso entorno e do planeta. Um compromisso como este construído/elaborado no CEO Roundtable demonstra a preocupação e o envolvimento do setor privado em relação à segurança hídrica e energética do País, bem como a busca por soluções vindas da natureza para desafios urbanos. Nessa linha, precisamos compreender que a água é um recurso essencial para a vida e para a economia do País. A responsabilidade por seu uso sustentável deve ser de todos’, afirmou o vice-presidente do Conselho do Grupo Boticário e diretor-presidente da Fundação Grupo Boticário, Artur Grynbaum.

O compromisso também prevê o comprometimento com a inovação, trabalho em conjunto para fomentar o desenvolvimento e implementação de estratégias que ampliem a resiliência hídrica, propondo ações concretas de auto gestão e governança sustentável da água; apoio a iniciativas e discussões que promovam o avanço efetivo e alavancagem dos investimentos em saneamento básico para toda população brasileira e também para a implementação das políticas de recursos hídricos no Brasil; formação de parcerias intersetoriais estratégicas para fortalecer as instituições e a governança para proteção e recuperação de bacias hidrográficas; busca por soluções alternativas, pautadas no investimento em Soluções Baseadas na Natureza (SbNs), como importantes aliadas na utilização de ecossistemas naturais.

Segundo Thelma Krug: ‘já existem no mundo vários estudos e projetos buscando alternativas para aumentar a resiliência dos sistemas de energia e hídrico, projetados a ser impactados pela mudança do clima e, particularmente, pelos eventos climáticos extremos. Algumas dessas iniciativas combinam a infraestrutura cinza que permeia esses sistemas com infraestruturas verdes ou naturais, características das chamadas Soluções baseadas na Natureza (SBN), que eu prefiro chamar de opções baseadas na Natureza’. E Thelma Krug vai além: ‘Há um reconhecimento geral e uma consciência crescente de que as SBNs podem desempenhar um papel importante no aumento da resiliência à mudança do clima e na entrega de serviços de infraestrutura sustentáveis. As SBNs são opções de infraestrutura benéficas porque tem uma menor pegada de carbono do que as infraestruturas cinza e muitas vezes removem carbono da atmosfera. Essas soluções não só ajudam a mitigar a mudança do clima como também aumentam a resiliência aos impactos climáticos».

País precisa ser mais ‘agressivo’

Com apoio de várias entidades técnicas, profissionais e empresariais, será realizado no próximo dia 25 de novembro, em modo on-line, o VI Seminário Nacional de Energias Renováveis e Eficiência Energética. O objetivo é debater tecnologias, soluções e experiências que possibilitem o uso mais racional da energia disponível, além do papel reservado às novas fontes renováveis e limpas na matriz energética do País.

As térmicas têm sido a única opção do País para enfrentar a ameaça de racionamento gerada pela crise hídrica que tem impacto direto na geração de energia do País, cuja matriz elétrica ainda depende em mais de 60% de usinas hidrelétricas. E a tendência é que o problema continue, até que o País consiga suprir com outras fontes limpas e eficientes a perda da capacidade hidrelétrica.

Outra prioridade inadiável é incluir a eficiência energética de forma contínua em seu planejamento, para evitar futuras crises energéticas. O tema está no centro dos debates do seminário realizado pela Casa Viva, empresa especializada na promoção e organização de eventos nas áreas de energia e ambiental. O evento já conta om apoio da Abimaq, Abesco, Anace, Abeeólica, Absolar, Febrae, Iema, ABGD (Geração Distribuída), Abragel, Abrate e ABS.

Ficha caiu – Em meio a mais grave crise hídrica dos últimos 91 anos, com a possiblidade de racionamento batendo às portas dos brasileiros, a ‘ficha caiu’ para a questão do aquecimento global e das mudanças climáticas, que vêm provocando fenômenos climáticos extremos em todo o planeta. Ao lado de fontes de energia de base e firme que possam complementar a geração hidrelétrica de forma sustentável, o País não pode mais prescindir de nenhuma alternativa para ampliar a geração de energia limpa e buscar melhores índices de eficiência energética em todos os setores da economia de forma mais agressiva.

A tendência mundial aponta para investimentos em fontes renováveis e nuclear, como recomenda a própria Agência Internacional de Energia, que chega a defender medidas extremas para conter a escalada do aquecimento global, como o investimento ‘zero’ em combustíveis fósseis.

O Brasil acordou para a questão nuclear e vem implementando medidas concretas para impulsionar seu programa como opção. Mas essa alternativa que demanda longo prazo não basta, é preciso investir na geração solar, eólica, biomassa, biogás, hidrogênio etc., cujos índices de produção e consumo vem crescendo e ganhando espaço no País.

Indicadores – Privilegiado nesse ponto de vista, no Brasil as fontes renováveis de energia alcançaram uma demanda de 46,1% de participação na Matriz Energética, um aumento de 0,6 ponto percentual em relação ao indicador de 2018, segundo o Ministério de Minas e Energia. As fontes de energia renováveis incluem a hidráulica, a eólica, a solar e a bioenergia. O indicador brasileiro representa três vezes o mundial. A energia solar cresceu 92% e a eólica, 15,5%, fontes que, somadas, contribuíram com 50% do aumento da participação das renováveis na matriz.

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Fonte: Diário do Comérico