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Consumo fraco de energia é sinal de estagnação

Data: 13/8/2019

O crescimento da demanda foi de apenas 1,7% entre os primeiros semestres de 2018 e de 2019, segundo a Resenha de julho da EPE

Os indicadores do consumo de eletricidade no primeiro semestre divulgados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Operador Nacional d0 Sistema Elétrico (ONS) reforçam a percepção de que a economia demora para sair da estagnação. Essa fragilidade econômica é revelada pelo setor elétrico e particularmente expressiva no caso da indústria, forte demandante de energia. Mas também houve recuo expressivo na demanda residencial.

O crescimento da demanda foi de apenas 1,7% entre os primeiros semestres de 2018 e de 2019, segundo a Resenha de julho da EPE. Em junho, o consumo de 38.213 GWh mostrou estabilidade em relação a igual mês de 2018, com alta nas Regiões Centro-Oeste, Norte e Sul e queda no Nordeste e no Sudeste.

A demanda industrial de energia – de 13.760 GWh em junho – aumentou 0,3% em relação a junho de 2018, mas o resultado, segundo a EPE, se deve, em parte, à base baixa de comparação, pois em igual período do ano passado o consumo ainda sofria os efeitos negativos da greve dos caminhoneiros. A isso se acresce o fato de que a indústria brasileira vem operando em ritmo muito lento, registrando desaceleração desde meados de 2018.

Mas a maior retração ocorreu no setor extrativo de minerais metálicos, que registrou a quinta queda mensal consecutiva, o que em grande parte se deveu ao desastre ambiental em Brumadinho.

O consumo residencial cresceu 3% no primeiro semestre, mas isso se explica pelo comportamento do primeiro trimestre, com alta de 6,1% em relação a igual período de 2018. No segundo trimestre, houve queda de 0,2%, pelo mesmo critério. Os técnicos da EPE acreditam que o consumo de energia insatisfatório se deve à fraqueza da situação financeira das famílias, sob influência da queda do rendimento médio dos trabalhadores. Os melhores resultados vieram do consumo de energia pelo comércio, pois, dadas as elevadas temperaturas registradas no início do ano, cresce o uso dos aparelhos de ar-condicionado.

Historicamente, o consumo de eletricidade tende a se manter – ou mesmo crescer – até em fases recessivas, dado o aumento da população e do número de residências decorrente da constituição de novas famílias. Os números pouco expressivos registrados neste ano refletem a debilidade da economia.

Fonte: O Estado de S. Paulo - O Estado de S. Paulo